Aborto
Os resultados confiáveis das principais pesquisas sobre aborto Brasil comprovam a tese de que a ilegalidade traz conseqüências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe a prática perpetua a desigualdade social. O risco imposto pela ilegalidade aborto é majoritariamente vivido pelas mulheres pobres e pelas não têm acesso aos recursos médicos para o aborto seguro.
O trecho acima faz parte da pesquisa Aborto e Saúde Pública, feito pelo Ministério da Saúde e divulgado em janeiro de 2008. Confesso que não li tudo, são 315 páginas, mas o trecho diz basicamente o que penso a respeito do tema. Na noite desta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara rejeitou o projeto de lei que discriminalizaria a prática do aborto. Semana passada, um estudo apontou a estimativa de que 1 milhão de mulheres fazem abortos ilegais por ano no País. Um quarto delas teria complicações por conta do procedimento.
Incrível como o tema ainda é tabu, pouca gente discute e a coisa está longe de ser discriminalizada. Minha maior vontade da vida é ser mãe. Acho que nunca teria coragem de fazer um aborto, mas é justo com uma mulher, e principalmente com a criança, que ela siga com uma gravidez indesejada? Católicos, moralistas e conservadores alegam que há vida. Mas que tipo de vida? É justo com a criança que ela seja rejeitada logo na infância e carregue por toda a ‘vida’ traumas nascidos ali? É justo com a mulher carregar por nove meses o fruto de algo forçado, indesejado, que lhe traz amarguras?´
Pior, é justo que mulheres que não têm condições de pagar uma clínica particular se submetam a métodos duvidosos para a prática?! O custo de manter a ilegalidade é muito maior para o Estado, fato. A quantidade de mulheres que sofrem as complicações e vão parar em hospitais públicos onera muito mais os cofres públicos se comparada a políticas públicas eficazes. Por que não permitir que mulheres façam o aborto, com acompanhamento clínico e psicológico de qualidade? Por que não permitir a prática?
Quem quer, faz. Conheço várias pessoas que fizeram. Amigas já compraram remédios abortivos na farmácia sem a menor dificuldade. Tudo porque têm dinheiro.
Será que os mesmos deputados que desaprovam o projeto de lei não leram o relatório do Ministério?! E, para cutucar um pouco mais, será que filhas de deputados, senadores e milionários conservadores – com o dinheiro que têm – já não praticaram aborto. Tudo para manter ‘a moral e os bons costumes’?