Terroristas?!

No início do mês uma operação policial descobriu que a Mancha Verde (torcida organizada do Palmeiras) tinha camisetas com a inscrição Hamas – Islamic Resistence em sua sede. Os objetos foram apreendidos e o caso será investigado. Apesar de saberem que não há uma ligação direta entre a Mancha e o Hamas, quiseram “dar um susto” no grupo.

E daí que usar símbolos islâmicos parece estar na moda. Os Kafieh viraram artigo de luxo e hype – descobri que depois que subiram na passarela de um desfile da Balenciaga. Agora, inundam as ruas de São Paulo, como mostra a matéria da Vejinha O cachecol das Arábias.

Acho lindo, lindo mesmo, e enrolei um tempão para comprar um – estava na dúvida entre o preto e o vermelho. Tenho uma amiga que tem um lindo e ainda não descartei a possibilidade de comprar. Só que virou carne de vaca – como eu já tinha alertado para um amigo, depois que uma das apresentadoras do Saia Justa fez uma viagem para a Palestina e trouxe um lenço para cada uma das amigas.

Mas daí fico me perguntando: essas pessoas sabem o que estão levando no pescoço? Sabem qual é a causa palestina? Já viram uma criança morta envolta em sangue depois de um ataque israelense? Já viram fotos e imaginaram a dor de uma mãe palestina? Lembram do Arafat usando um na cabeça? Por que usar um lenço palestino na cabeça, no ombro ou sei lá onde? Pior, elas sabem que este é o lenço palestino?! É justo o símbolo de um povo virar carne de vaca depois de um desfile em Paris?

Gosto de moda, apesar de não ser fanática e não seguir. Mas usar um símbolo tão forte não é acabar com uma causa? Será que a moda não emburrece as pessoas em alguns sentidos? Para mim, usar um lenço roxo desses não faz o menor sentido. Pode parecer hipocrisia, mas confesso que não usaria nada com uma estrela de David, simplesmente porque não me identifico com a atual posição do Estado de Israel. Do mesmo jeito que nunca usaria uma roupa com símbolos norte-americanos…

Vale ganhar dinheiro com esses ícones? Algumas lojas em São Paulo vendem o ‘Kafieh’ por até R$ 95 reais, sendo que uma loja que vende artigos árabes e islâmicos oferece por R$ 39. O que vale mais? Ser da DocDog ou carregar a luta de um povo?! Quem usa lenço palestino vai ser condenado por alguém por ter ligações com os ‘terroristas do Hamas’?

2 Respostas

  1. Discordo de muita coisa. Por mais que a moda seja mesmo um espaço em que muitas referências perdem o seu sentido, ela é mais criticada – talvez por essa característica ficar mais óbvia – que outras formas de, digamos, manifestações culturais. A música não cansa de usar referências antigas para montar uma colagem infinita de sons e fazer um novo hit, o cinema não cansa de adaptar histórias, recontar passagens importantes e, com isso, conseqüentemente mudar a visão que muita gente tem da história (um exemplo dos mais detestáveis é o “Patriota”. Não há indícios de que os ingleses trancaram e queimaram vivos os americanos revolucionários, nem mesmo que os americanos tenham conquistado a independência como coitados de boa vontade). Aliás, o jornalismo faz, e muitas vezes com uma falta de noção preocupante, a mesma coisa.
    Um lenço palestino significa muita para a cultura palestina, mas, na moda, pode virar um mero acessório. Não tenho certeza, mas imagino que, dificilmente, a maison Balenciaga se arriscaria em colocar um símbolo desses numa coleção sem saber se isso ofende ou não um povo. O problema é que as pesquisas feitas por quem desenvolve todas essas roupas – ao menos a maioria dos bons – se perde na hora que tudo é fabricado e vendido a toque de caixa. O mesmo para o cinema, para a música, para a imprensa, e para tantas outras formas de “manifestação cultural”…

  2. VIVA A PALESTINA!
    Belo post…
    Só tava passando pelo google e vi esse post e quiz dar meus parabéns.
    Você não é controlada pela mídia!

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