Rumo ao Viaduto do Chá

As entrevistas, reportagens e coisas que o valham com os candidatos às eleições deste ano deram o que falar por conta das restrições impostas – que depois foram derrubadas – pela Justiça Eleitoral. Vou me restringir a comentar as entrevistas publicadas pela Veja São Paulo, que fez uma série com os pré-candidados à Prefeitura de São Paulo.

A primeira entrevista foi com Marta Suplicy, na qual a revista anunciou: “Nesta edição, Veja São Paulo apresenta a primeira de uma série de entrevistas com os três principais concorrentes”, que seriam, nessa ordem: Marta, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin. Ela é minha candidata por vários motivos: a gestão que fez, a implementação do Bilhete Único, sua força como mulher e sua coerência. Sim, Marta pode ter vários defeitos, pode ter soltado o “relaxa e goza” mais embaraçoso e inoportuno do mundo e pode ser aliada do governo embebido à denúncias de corrupção, mas ainda assim meu voto é dela. Ah, claro, também será dela por falta de opção melhor.

A segunda entrevista foi com Gilberto Kassab, atual Prefeito, que chegou ao Viaduto do Chá depois que José Serra pulou do barco para se candidatar a governador. Kassab se considera desconhecido do eleitorado paulistano, apesar de estar à frente da Prefeitura desde março de 2006. Apesar de ser do DEM – sempre comentei minha aversão ao PFL, partido que precedeu o Democratas -, acho Kassab modesto. Colocou o Cidade Limpa em prática, mesmo tendo toda a indústria da publicidade contra ele. Engraçado como ele foi questionado sobre a piora no trânsito, como se a culpa fosse dele. Com o mercado de automóveis batendo recorde atrás de recorde, acho que ele não tem culpa do trânsito, mas poderia ser questionado sobre transporte público e sobre como ‘diminuir’ os reflexos disso na cidade…

A terceira entrevista e capa foi com Geraldo Alckmin, ex-governador – ele sucedeu Mario Covas – e ex-candidato do PSDB à Presidência. O picolé de chuchu não dá muito pano para manga, de tão sem sal que é. Causou ao bater o pé para se candidatar pelo PSDB e, acho eu, agora está humilhado pelo Serra, que vira e mexe aparece do lado do Kassab. É questionado sobre sua ligação com a Opus Dei. É de chorar que essa pessoa esteja em segundo lugar nas pesquisas de opinião – atrás da Marta. Mas dá para entender, estando em um cenário tão conservador.

A surpresa: posso estar sendo chata demais, mas a revista tinha anunciado “uma série de entrevistas com os três principais concorrentes” e eis que na edição desta semana surge Paulo Maluf. Sim, porque ele renasce das cinzas. A quarta entrevista recebeu o título “E ele ainda quer ser prefeito”, mas não foi parar na capa da edição. Eis aqui a explicação dada em editorial. Olha, não vou nem comentar os projetos de Maluf – ele diz que o único problema da cidade é o trânsito e ainda tem a capacidade de ter como proposta uma laje sobre o Tietê. O cara é doido e todo mundo que me conhece pelo menos um pouco sabe que dentre os políticos ele é daqueles que eu desejo o pior.

Agora, alguém me explica por que uma séria ‘de três entrevistas’ se transformou em quatro? Por que Maluf não vai para a capa? Longe de mim defender propaganda ou destaque para ele, muito pelo contrário. Mas a revista não deveria ser coerente e colocar na capa a continuação se uma série que teve três capas?! O Marcelo Coelho entendeu que foi uma decisão editorial – e eu entendi que ele considerou acertada. Mas depois de toda a boataria com a Justiça Eleitoral não seria coerente manter as entrevistas com os candidatos na capa?!

Última pergunta: depois da entrevista com Malufão, a revista vai deixar de fora Luiza Erundina e Soninha?! Apesar de estarem atrás nas pesquisas, elas têm eleitorado. Não seria jornalisticamente correto dar espaço a elas também!?

Aproveitando o assunto “Soninha”, a Piauí traz uma matéria com ela nesta edição de julho, por enquanto só para assinantes. Quem quiser também pode acompanhar o blog dela, já que o da Folha está hibernando por conta das eleições. Luiza Erundina também tem site e prometo tentar tratar de questões políticas com o máximo de isenção possível…

Uma Resposta

  1. A revista não foi incoerente. Ao contrário: prometeu três entrevistas, e cumpriu. Colocou as três que havia prometido – as mais importantes para o tema principal abordado na revista, ou seja, São Paulo – na capa.
    Aí entra a primeira decisão editorial: manter a “eqüidade” e dar oportunidade aos outros três candidatos. Ora, como os “outros três” têm possibilidades quase nulas de ir para o segundo turno, nada mais editorialmente correto para uma revista semanal do que relegá-los a uma posição terciária na hierarquia do que será ou não capa.
    Creio que, provavelmente, darão oportunidade a Erundina e Soninha. Se não derem, aí sim, é incoerência.
    Em segundo lugar, a revista deu justificativas mais do que corretas no contundente editorial para não colocar Maluf num chamariz publicitário como é a capa de Veja São Paulo. E, pra completar, além de todas as acusações que pesam contra ele, seu índice de rejeição é de 51%, o que, por si só, já inviabiliza sua candidatura e, ainda mais, uma chamada de capa.

    No mais, com ainda mais sinceradade: todos os políticos são iguais e, por enquanto, nenhum deles merece meu voto, que será anulado com um prazer retumbante nesta que é minha sétima eleição.

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