A arte

2008 Junho 12
by segueoseco

Em menos de seis meses, dois grandes museus de São Paulo foram roubados. Os ladrões simplesmente entraram, pegaram e foram embora. Sem muito alarde, sem causar pânico, sem nada. Pega-se um Picasso e sai. Simples assim. Dessa vez foi a Pinacoteca: dois Picassos, um DiCavalcanti e um Lasar Segall. O roubo foi feito por três homens, que aproveitaram uma excursão escolar. Não entendo como pode ser tão simples sair com obras de baixo do braço.

Os museus de São Paulo sofrem com a má administração, como é o caso do Masp, palco do roubo de seis meses atrás, quando também foram levados um Picasso e um Cândido Portinari. Apesar de todo mundo saber e reclamar que a cidade é violenta, esse tipo de roubo é muito diferente de ser abordado no farol com uma arma. É um quadro, um patrimônio artístico, algo com um valor que, pelo menos para mim, supera as cifras que eles valem no mercado – o negro e o formal.

Bem, como no roubo ao Masp, que repercutiu na imprensa internacional, o furto à Pinacoteca também foi notícia lá fora. Vou destacar duas, de jornais espanhóis, que têm mais interesse no tema pelo fato do Picasso ser quem é. O El País, como não poderia deixar de ser, destaca o fato dos quadros do malaguenho terem sido roubados, mais uma vez. Já o 20 minutos, um jornal que eu descobri no curso de espanhol e que é mais popular, digamos, parte para o “Roban de nuevo grabados de Picasso a punta de pistola en Sao Paulo”.

No link do 20 minutos tem alguns comentários. Vou destacar dois:

“seamos sinceros, ese cuadro es una mierda, esta sobrevalorado.”, que vale pelo inusitado…

“El valor de esos cuadros es mucho mayor, se trata de cuadros del mismo Picasso. En fín, me parece vergonzoso, pero la verdad es que no sé a quien se le ocurre llevar una colección así a un país como Brasil.”, que vale pela discussão…

É absurdo e inadmissível que aconteçam roubos como esse em São Paulo e em qualquer outra cidade do País. Justamente pelo fato que passamos essa imagem lá fora. Por mais que esse seja um comentário isolado, de um leitor - como a maioria desinformada sobre o Brasil – acabamos passando essa imagem para os gestores culturais que negociam trocas de obras com museus daqui. É revoltante que as gestões culturais sejam como são nessa cidade, nesse Estado, nesse País. Como pode um Picasso ser roubado desse jeito? Como pode um museu ser roubado assim? E o pior é saber que quem rouba isso, quem tem dinheiro para comprar essas obras no mercado negro, são as mesmas pessoas que dão banquetes para nossos políticos, nossos pseudo-gestores culturais.

Quando estive nos museus espanhóis, em Madrid e Barcelona, os roubos ao Masp tinham acabado de acontecer, o que me fez reparar na segurança dos locais. Todas as obras, todas, são presas com fios de nylon nas paredes, as mais valiosas têm sensores do lado. Todas as salas, absolutamente todas, têm uma pessoa vigiando. Fora toda a segurança pela a qual você é obrigada a passar quando entra no museu. Claro que isso não impede roubos, como foi o caso dos quadros do Munch, levados de um museu em Oslo.

Sei que é pedir demais, é quase uma utopia, mas bem que os prefeitos, governadores e o que mais quer que seja poderiam ter políticas culturais.

 

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