Tec tec tec tec tec
E não tem mesmo para quê exigir, já que um bom jornalista não se forma em quatro anos, muito menos em faculdades mambembes, que fingem ensinar, enquanto os alunos fingem qualquer coisa que seja. Aliás, não tem o que ensinar. Ética? Não se aprende na sala de aula, lendo textos e discutindo o quê fazer em cada uma das possíveis situações. Fácil falar que ia ou não publicar a foto de um corpo despedaçado quando se está sentado na sala de aula, rodando a caneta, desenhando na carteira e com mais 30 pessoas opinando. Discuta com seus chefes sobre o que fazer ou não quando você precisa furar todo mundo, tem a pressão de uma redação inteira nas costas e ainda o nome de um jornalão. E o corpo em questão existe por causa de acidentes aéreos.
Aprendi muito nos quatro anos de faculdade. Aprendi, principalmente, que jornalismo não se ensina em aula. Simplesmente não se ensina. Se é. Quantas das pessoas que se formaram na profissão não exercem?! Seja pelo fato de não ter vaga para todo mundo, quanto pelo fato de não ter tino para a coisa, mesmo.
Nos três anos de redação, fui obrigada a saber fazer jornalismo. Ou pelo menos a fazer aquilo que a empresa onde trabalho quer que seja feito. Tenho certeza que todos os que chegaram lá, como eu, e começaram como estagiários, aprenderam muito mais batendo a cabeça, sozinhos, na frente do computador, do que em suas faculdades. Quem é bom, fica. Simples assim.
***
Há alguns meses fui ao médico devido a uma tosse insistente. Eles sempre perguntam o que você faz da vida, onde e como trabalha. Jornalista. A filha dele também queria ser jornalista. E daí ele me questionou sobre o que eu achava. Pois bem, o que acho sobre quem quer entrar na faculdade:
Se você quer e sente que é isso que sabe fazer, siga em frente. Mas não faça só uma coisa da vida. Se tem algo que me arrependo é de não ter feito outra graduação junto com o Jornalismo. Quando prestei vestibular, fui condicionada a achar que era uma coisa ou outra, duas não podem ser casadas.
Hoje, buscando uma pós em Direito, vejo que se tivesse feito as duas coisas antes, poderia conseguir um curso bem mais fácil. A maioria das pós na área exige que você seja bacharel. Com ou sem diploma, quem é bom vai se dar bem. Seja no jornalismo, na moda, na culinária ou na medicina. Coisas de Darwin…
O Supremo definiu que não é mais preciso diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Faz quase dois anos que me formei, já fiz todas as burocracias e finalmente – depois da demora da Delegacia do Trabalho e das partes envolvidas – tenho meu MTB definitivo. Para quem não sabe, o MTB é o registro dos jornalistas na profissão. Seria só com ele, por exemplo, que eu poderia ser contratada como jornalista em algumas empresas. A Folha é uma das empresas que não exige o diploma para que alguém exerça a atividade.
E não tem mesmo para quê exigir, já que um bom jornalista não se forma em quatro anos, muito menos em faculdades mambembes, que fingem ensinar, enquanto os alunos fingem qualquer coisa que seja. Aliás, não tem o que ensinar. Ética? Não se aprende na sala de aula, lendo textos e discutindo o quê fazer em cada uma das possíveis situações. Fácil falar que ia ou não publicar a foto de um corpo despedaçado quando se está sentado na sala de aula, rodando a caneta, desenhando na carteira e com mais 30 pessoas opinando. Discuta com seus chefes sobre o que fazer ou não quando você precisa furar todo mundo, tem a pressão de uma redação inteira nas costas e ainda o nome de um jornalão. E o corpo em questão existe por causa de acidentes aéreos.
Aprendi muito nos quatro anos de faculdade. Aprendi, principalmente, que jornalismo não se ensina em aula. Simplesmente não se ensina. Se é. Quantas das pessoas que se formaram na profissão não exercem?! Seja pelo fato de não ter vaga para todo mundo, quanto pelo fato de não ter tino para a coisa, mesmo.
Nos três anos de redação, fui obrigada a saber fazer jornalismo. Ou pelo menos a fazer aquilo que a empresa onde trabalho quer que seja feito. Tenho certeza que todos os que chegaram lá, como eu, e começaram como estagiários, aprenderam muito mais batendo a cabeça, sozinhos, na frente do computador, do que em suas faculdades. Quem é bom, fica. Simples assim.
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Há alguns meses fui ao médico devido a uma tosse insistente. Eles sempre perguntam o que você faz da vida, onde e como trabalha. Jornalista. A filha dele também queria ser jornalista. E daí ele me questionou sobre o que eu achava. Pois bem, o que acho sobre quem quer entrar na faculdade:
Se você quer e sente que é isso que sabe fazer, siga em frente. Mas não faça só uma coisa da vida. Se tem algo que me arrependo é de não ter feito outra graduação junto com o Jornalismo. Quando prestei vestibular, fui condicionada a achar que era uma coisa ou outra, duas não podem ser casadas.
Hoje, buscando uma pós em Direito, vejo que se tivesse feito as duas coisas antes, poderia conseguir um curso bem mais fácil. A maioria das pós na área exige que você seja bacharel. Com ou sem diploma, quem é bom vai se dar bem. Seja no jornalismo, na moda, na culinária ou na medicina. Coisas de Darwin…